Lost in Translation

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sexta-feira, 16 de agosto de 2013

A praia dos Coqueiros e os encontros imediatos de quinto grau!


A praia dos Coqueiros é mesmo muito bonita, tem imensos coqueiros e vários barcos de pesca timorenses na areia, como podem ver, dá umas fotografias espectaculares!





Pessoas nesta praia são raras. Malais (como todos os timorenses tratam os europeus) nem vê-los e os poucos timorenses que passam, são sempre muito curiosos. Já por duas ou três vezes demos por alguns sentados uns metros ao lado a olhar para nós. No outro dia houve mesmo uma rapariga que se sentou mesmo ao nosso lado, só a olhar para nós.
Acho engraçadíssimo a forma como nos observamos uns aos outros como se fossemos de planetas diferentes. Ora sou eu com a máquina fotográfica a capturar o “nativo”, ora são eles que nos chamam malai e se sentam a olhar fixamente para nós, sem que isso lhes cause desconforto algum. Infelizmente ainda não domino o tétum nem eles o português e assim, pelo menos durante as próximas semanas, este encontro entre culturas continuará a ser: Bondia, diak lae? (Bom dia, tudo bem?) e mostrares-lhes a fotografia que acabei de tirar enquanto eles timidamente respondem Diak e depois se riem que nem perdidos porque a malai lhe tirou uma fotografia.
            Enfim.. é engraçado constatar como o conceito exótico, consoante o ponto de vista, pode variar entre antípodas: para uns é o branco que vai à praia, para outros é a campa no meio da praia, o timorense que vai tomar banho vestido à ribeira que desagua no mar, que passeia as cabras na praia, a senhora vestida de batik que leva a lenha na cabeça, etc... Todas estas situações só numa ida à praia.. muito mais de exótico há só de andar pela cidade de Díli, situações que deixarei para futuros posts... 

















segunda-feira, 12 de agosto de 2013

Primeiros dias...


Olá a todos, 
Cá vão mais algumas novidades sobre os meus primeiros dias aqui em Timor. Desde que cheguei já tive várias alegrias..
O MOVE está em Timor há cerca de dois anos, no entanto, por várias condicionantes e burocracias, só agora conseguiu atribuir os primeiros créditos. Precisamente na semana a seguir a eu ter chegado! A seu tempo publicarei os vídeos das nossas idas às compras com as empreendedoras.
Na semana passada encontrei o P. Elias, um dos Padre que nos acolheu em Venilale, “Our home away from home”! O P. Elias ia a passar de carro, eu ia a pé distraída a conversar, olhei para o lado e ia tendo qualquer coisa. O P. Elias parou logo o carro e combinámos que havíamos de combinar uma conversa um destes dias. Este Padre era fantástico, andava sempre bem disposto e disponível.
No mercado de Venilale havia um senhor que fazia umas colheres de bambo e casca de coco muito engraçadas. Nós éramos 20 a comprar as colheres para levar para a família toda e o coitado do senhor não tinha andamento para fazer tanta colher. Quando o P. Elias se apercebeu, logo tratou de arranjar quem fizesse colheres para todos podermos levar presentes para a família toda.
Ainda na semana passada voltei a ter outra grande alegria. Estava a sair do supermercado e olhei para uma rapariga. Imediatamente percebi que era uma das raparigas do orfanato de Venilale, precisamente a rapariga com quem eu criei uma ligação mais forte. Chamou-me logo Mana Madalena.. veio-me a lágrima ao cantinho do olho! Parecíamos duas crianças de cinco anos super contentes mas sem saber como reagir. É um ano mais nova que a Mariana. Ela ia tirar fotocópias de apontamentos em português e eu, nerd que sou, disse-lhe logo que a ajudava com todas as explicações que ela precisasse. Forma fácil e eficaz de conversar com uma rapariga que pouco fala a minha língua e cuja língua eu preciso de aprender.
Por hoje fico por aqui,
Um grande beijinho a todos,
Madalena

Timor-Leste, Let the Games Begin!



Olá a todos,

Para quem ainda não sabe, vim para Timor com dois projetos em mãos: fazer trabalho de campo para a minha tese de mestrado em Antropologia Visual e integrada como fellow na equipa Católica-MOVE, uma ONG que, entre outras coisas, trabalha com microcrédito (sim, nada a ver com a minha área!)
Após um semestre louco de trabalho e duas semanitas a passear pela China, HK e Macau, estou finalmente em Timor! Cheguei no dia 24 de Julho, precisamente no mesmo dia em que cheguei há três anos... A coisa promete!
Já cá estou há mais de duas semanas e têm sido dias cheios: passagem de pasta da equipa MOVE anterior, conhecer a nova equipa, conhecer os empreendedores a quem acabámos de dar crédito, ir com os empreendedores às compras, dar aulas de empreendorismo e gestão na UNTL, a instalação cá em casa, etc...
“Primeiro estranha-se depois entranha-se”, disseram-me quando cheguei. Apeteceu-me responder: “Há três anos que está mais do que entranhado!” Para quem me conhece sabe que a vontade de vir era mais do que muita. Há qualquer coisa nesta realidade que me transcende e me apaixona! Quanto mais conheço, mais intrigada fico e mais quero conhecer! Nada nesta terra segue um nexo que tenha lógica na minha caixa. Tudo é fora da minha caixa e tudo tem qualquer coisa especial que eu não sei pôr em palavras, ou pelos menos, em poucas palavras..
Lost in Translation é sem sombra de dúvida como me sinto aqui mas sem qualquer conotação negativa. Bem pelo contrário, todos os dias são um novo desafio e uma nova surpresa! Ao longo das minhas publicações irão perceber o que quero dizer com isto!
Mais novidades sobre o meu dia-a-dia neste lado do Mundo virão nos próximos dias... 

Um grande beijinho a todos,

Madalena